sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Pela reinvenção do calendário do futebol brasileiro

Recentemente vem sendo noticiado que a emissora detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro está preocupada com os atuais índices de audiência.

De outra parte, o movimento Bom Senso Futebol Clube trouxe nos últimos meses justas reivindicações para que o Direito dos atletas seja mais respeitado, com observância do chamado Fair Play Econômico, concessão de férias nos termos da lei e valorização dos campeonatos das séries inferiores, além de diminuição do número de jogos.

Por outro lado, a queda da média de público nos estádios demonstra que os torcedores estão absolutamente insatisfeitos com os serviços oferecidos nos estádios, assim como com a imposição de horários para realização dos jogos que afastam qualquer pretensão do cidadão de bem – que trabalha no dia seguinte – quanto ao comparecimento aos jogos de seu time, sobretudo quanto aos jogos realizados à noite. 

A nova gestão da CBF, que assume a partir do final do ano, terá, portanto, a difícil missão de tentar equacionar todos esses fatores, atendendo a maior parcela possível dos interesses da televisão, dos jogadores e do público pagante, pois do contrário não há como ocorrer reversão do triste quadro atual.

Também muito se fala acerca da pertinência ou não da manutenção dos campeonatos estaduais, do formato do Campeonato Brasileiro, do insustentável número de times participantes da Copa do Brasil e da adequação ou não do calendário brasileiro ao calendário europeu.

Assim, a reinvenção do calendário do futebol brasileiro é medida necessária.

Em que pese o entendimento de que a adequação do calendário brasileiro ao europeu seria altamente benéfica, tal medida não é imprescindível para propostas de um novo calendário possam ter êxito quanto à valorização das competições nacionais.

Nesse sentido, talvez fosse benéfica e interessante a adoção da seguinte proposta de calendário para o futebol brasileiro, calcada na valorização real das competições:

Dos 12 (doze) meses do ano, 11 (onze) meses seriam reservados à realização dos campeonatos e 30 (trinta) dias seriam destinados às férias dos jogadores em todas as divisões dos campeonatos a serem realizados no país.

Desses 11 (onze) meses, 02 (dois) meses seriam destinados á destinado à realização dos campeonatos estaduais, 01 (um) mês seria destinado à realização da Copa do Brasil e 08 (oito) meses seriam destinados à realização do Campeonato Brasileiro.

A grande novidade, porém, se daria na alteração parcial da fórmula dos campeonatos de modo a conferir maior importância a estes e trazer emoção aos campeonatos de todas as divisões.

Tomando-se por base que o período de 16 de dezembro de um ano a 15 de janeiro do ano seguinte seria destinado às férias dos jogadores, teríamos o seguinte:

Os campeonatos estaduais seriam disputados no período de 02 (dois) meses, por exemplo, entre 16 de janeiro e 16 de março de cada ano, de forma que para tal campeonato as federações disporiam de um total de 16 (dezesseis) datas. Assim, todos os campeonatos estaduais seriam realizados com 16 (dezesseis) times cada um e teriam uma primeira fase onde todos jogariam contra todos (quinze jogos), classificando-se os dois melhores pontuadores para a grande final a ser realizada em jogo único, com prorrogação e pênaltis.
O campeão de cada estado estaria automaticamente classificado para a Copa do Brasil.

Entre os dias 20 de março de cada ano e 10 de novembro de cada ano teríamos o Campeonato Brasileiro, que continuaria a ser disputado em pontos corridos por 20 (vinte) clubes. Assim, considerando que cada agremiação faria 38 (trinta e oito) confrontos durante todo o campeonato, os 08 (oito) meses de Campeonato Brasileiro possibilitariam que 32 (trinta e dois) jogos fossem realizados aos finais de semana e que apenas 06 (seis) jogos fossem disputados em meios de semana.
Evidentemente haveria necessidade de mais que 06 (seis) datas para realização de jogos em meios de semana, pois quando houver data FIFA nos finais de semana a respectiva rodada seria remarcada para o meio de semana. Mas vejam que, ainda assim, haveria meios de semana suficientes para acomodação dos jogos adiados das datas FIFA e dos jogos das Copas Libertadores da América, Sulamericana e Recopa.
Além de continuar servindo de critério para classificação das agremiações às Copas do continente, os 05 (cinco) primeiros colocados do Campeonato Brasileiro também se classificariam automaticamente para a Copa do Brasil. Caso uma agremiação já tivesse assegurado sua vaga na Copa do Brasil em virtude de ter vencido o respectivo campeonato estadual, seria aberta vaga ao sexto colocado do Campeonato Brasileiro e assim por diante, o que certamente apimentaria as rodadas finais do campeonato brasileiro, ainda que o campeão tenha ganhado o campeonato com rodadas de antecedência.  

Finalmente, no período compreendido entre 16 de novembro e 15 de dezembro de cada ano seria realizada a Copa do Brasil, com 32 (trinta e duas equipes), sendo vinte e seis campeões estaduais, um campeão do Distrito Federal além das cinco equipes classificadas via Campeonato Brasileiro.
E mais, a Copa do Brasil passaria a ser realizada nos mesmíssimos moldes da Copa do Mundo, com oito sedes pré-definidas e também cidades previamente escolhidas para realização dos jogos decisivos.
  
A adoção de tal calendário ensejaria inclusive possibilidade de aumento da pré-temporada, pois as equipes que não se classificassem para a Copa do Brasil poderiam antecipar a concessão de férias a seus jogadores, o que, aliás, também poderia ocorrer com as equipes que conseguissem classificação para a Copa do Brasil e fossem eliminadas no transcorrer da competição.

Poderia ser criada uma Copa do Brasil B, com critérios de acesso exatamente iguais aos da Copa do Brasil principal, porém com participação de clubes egressos da série B dos campeonatos estaduais e da série B do Campeonato Brasileiro.


Vale a pena refletir sobre esta e outras propostas de reinvenção do calendário do futebol brasileiro. 

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