domingo, 23 de novembro de 2014

Fui jogar no Morumbi

Era uma manhã comum de uma terça feira, no início de setembro de 2014, quando soube que a agência de turismo Passaporte FC tinha iniciado a comercialização de pacotes para participação em um evento denominado “VouJogarNoMorumbi”, pelo qual os interessados em participar poderiam viver a experiência de jogar uma partida de futebol, com trio de arbitragem e tudo mais, no monumental e mítico estádio do São Paulo Futebol Clube.
 
A princípio não pude crer que algo tão fantástico como aquilo pudesse ser verdade, mas após rápida pesquisa descobri que não somente o evento era pra valer, como aquela seria a segunda edição, tendo a primeira delas ocorrido alguns anos antes.
 
Imaginei que aqueles pacotes seriam vendidos muito rapidamente e então, munido de algumas economias e da autoridade de quem era o aniversariante do mês e não seria reprimido pela esposa, não pensei duas vezes e adquiri um pacote para participar do evento.
 
Quem não é aficionado por futebol não é capaz de imaginar o que se passa na cabeça de um torcedor fanático por seu time e maluco por jogar futebol, que é abençoado com uma oportunidade dessas.
 
Como foi difícil continuar a vida normalmente entre setembro e 22 de novembro - data do evento - como se nada de tão alucinante estivesse para acontecer.
 
As peladas que religiosamente a cada semana jogo no campo da Vila Guarani, na zona sul de São Paulo, se tornaram não somente uma oportunidade incrível de preparação, mas também tornaram-se eventos quase irresponsáveis, tamanho era o receio de sofrer uma lesão qualquer que pudesse impedir a participação no evento “VouJogarNoMorumbi”.
 
Mas graças a Deus tudo correu bem, chegou o grande dia e preciso dizer, foi surreal.
 
Desde a chegada ao estádio, circulando por corredores e dependências que, quando muito, eu tinha visto na televisão, fui percebendo o quanto aquele dia seria inesquecível.
 
À partir daí não há como manter a coerência e o correto estilo gramatical e continuar a narrativa em primeira pessoa.
 
Sim, porque daí por diante eu já não estava sozinho. Tudo o que se seguiu foi vivido por nós: os vinte e dois “malucos por futebol” que jogariam às 11 horas do sacrossanto dia 22 de novembro de 2014.

Após recebermos uniformes completos do São Paulo Futebol Clube, personalizados com nossos nomes, fomos encaminhados ao vestiário principal do Morumbi. Não houve sequer um “jogador” ali presente que não tenha se emocionado quando pisou dentro daquele vestiário, utilizado por nossos ídolos tricolores ao longo de tantos anos.

Uma vez uniformizados e após rápidas fotos no vestiário principal, passamos a fazer o aquecimento ali mesmo, ansiosos pela preleção que viria a seguir, a qual seria dada por ex jogadores do São Paulo que também seriam os nossos técnicos.

O vestiário simplesmente veio abaixo quando ninguém menos que Dom Dario Pereyra e Macedo, o talismã, chegaram para a preleção. Foram rápidas suas palavras, mas os loucos por futebol que ali estavam certamente nunca às esquecerão.

Dom Dario pediu que primeiro os times trocassem bastante a bola, sem individualizar e alertou que não nos enganássemos com o tempo de jogo reduzido, pois o campo cresceria durante a partida.

Macedo lembrou o conselho do mestre Telê Santana, recomendando que os times esquecessem a arbitragem e não reclamassem, pois como dizia o saudoso professor, “jogador tem que jogar”.

Os times perfilaram na porta que antecede o túnel, ao som dos tradicionais cânticos da torcida tricolor e fez-se um silêncio. Percebemos que havia chegado a hora de entrar em campo ao som de “Hells Bells”. Quem é são paulino sabe do que se trata. E foi, literalmente, de arrepiar.

Você percebia cada um dos “jogadores” motivados para aproveitar ao máximo cada minuto daquele que, provavelmente, seria o jogo de suas vidas.

Ao passar pelo túnel que dá acesso ao gramado, acredito que todos viram o filme de suas vidas. Deus é que sabe a trajetória que cada um passou para estar ali, realizando aquele sonho.

A entrada em campo foi bíblica, pois ao sair do túnel, fez-se a luz, seguida da emoção de pisar naquele solo sagrado.

Hino nacional, parentes queridos na arquibancada - só eles pra embarcar na nossa loucura - e, enfim, o apito inicial.
 
Cada lance, cada disputa de bola, passes, o campo crescendo durante a partida, como profetizou Dom Dario, certamente ficarão na memória de todos.
 
Foi alucinante e inesquecível.

O futebol é sensacional, o Morumbi é sensacional.
 
Obrigado, São Paulo Futebol Clube.
 
Meu amor por você é como o mestre Telê: eterno.

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