domingo, 22 de novembro de 2015

Carta aberta ao Presidente Leco

Caro Presidente Leco, a coisa azedou.
Azedou, mas como o senhor bem sabe,  antes de azedar ferveu, amornou e coalhou, tudo à olhos vistos.
Ferveu quando após o resultado adverso na semifinal da Libertadores em 2004, a base montada por Cuca foi mantida, contratações pontuais de muita qualidade chegaram em 2005, culminando com a conquista da Taça Libertadores e do Mundial.
Continuou fervendo em 2006, 2007 e 2008, quando um elenco não mais tão brilhante como o do Mundial, já sob comando de Muricy, conquistou o Brasil três vezes seguidas com competência técnica e muito, mas muito trabalho mesmo.
Começou a amornar em 2010, quando, quem diria, após um revés na Taça Libertadores, foi interrompida a sequência vitoriosa de Muricy Ramalho, que levava o elenco batalhador com mãos de ferro e carinho de pai.
No campo, após 2010, foram muitos os erros. Contratações de jogadores tecnicamente sofríveis, abertura de espaço no clube para interesses particulares e de empresários.
Fora dele, mais erros ainda.
E foi aí que começou a coalhar.
O clube assistiu impávido as manobras para que o grupo político de Juvenal, ao qual o senhor pertenceu, permanecesse no poder.
O clube viu manobras como o aumento do preço do título social, voltadas a manutenção do cenário eleitoral, tendo este aumentado mais de dez vezes num período de dez anos, inibindo o ingresso de novos sócios e, consequentemente, engessando-se o Conselho.
Manobra esta que se revelou ardilosa e eficaz, pois a manutenção do status quo no Conselho ensejou a permanência de Juvenal Juvêncio no poder e o alcance do terceiro mandato.
Juvenal que, aliás, tomado pelo sentimento de soberania, o qual hoje sabemos tratar-se de inútil soberba, entrou numa briga de inicio já perdida.
Deixou de fortalecer o futebol, ocasionando manifesto empobrecimento técnico do elenco, movido pelo desejo de colocar o estádio do Morumbi na Copa do Mundo de 2014.
Sim, foi uma briga natimorta, pois os figurões que escolheriam o estádio paulistano na copa tinham outros planos, como hoje revelam as investigações americanas sobre os escândalos na Fifa e nas federações e até os indícios apontados na operação Lava Jato.
O clube, é verdade, venceu a Copa Sulamericana em 2012. Em parte pelo menor nível técnico desta que é segunda competição continental em importância e, portanto, não conta com tantos adversários de alto nível, assim como em razão do surgimento de um desses jogadores que enriquecem o poderio de um time e elevam o nível dos demais atletas do elenco, como era o caso do Lucas.
E que oportunidade de volta ao protagonismo foi perdida após a conquista do título em 2012.
Para 2013, o clube foi enfraquecido com a inevitável saída do craque garoto, mas o valor astronômico da venda não foi revertido em qualidade para o elenco.
O resultado foi um ano sofrível e a providencial volta de Muricy para conduzir um elenco, até então apático, à fuga de um vergonhoso e inédito rebaixamento.
Em 2014,  com o apoio da direção anterior, tomaria posse a Diretoria que, após romper com suas origens, viria a escrever o mais triste capítulo da história do São Paulo Futebol Clube.
Foi aí que azedou.
Incompetência e escândalos sucessivos macularam o nome do glorioso São Paulo Futebol Clube.
A gestão do futebol, tal qual a do clube, foi entregue a cargo de gente incompetente.
O elenco foi enfraquecido ainda mais, com a chegada de ex jogadores que nada fizeram para merecer uma segunda oportunidade. Outros chegaram, com nível técnico ou caráter sofrível.
Um grupo rico financeiramente, mas pobre em vergonha na cara e miserável em espírito vencedor.
Como se não bastasse o fato de que 2015 já seria um ano suficientemente triste pelo encerramento da carreira do maior ídolo da história do clube, fato este que se avizinha, o torcedor Tricolor foi obrigado a assistir um time irreconhecível durante toda a temporada, além do já citado show de incompetência administrativa, culminando com a recente e amarga derrota.
Que essa semana, em que a coisa literalmente fedeu, sirva para tirar a direção do clube da mesmice e seja transformada em força motriz para que ocorra uma profunda reformulação no departamento de futebol, com novos profissionais nas diretorias, na comissão técnica, na preparação física e sobretudo, em relação ao elenco de jogadores.
Elenco esse que precisa ser muito modificado, para que o São Paulo Futebol Clube volte a contar com atletas bons de bola, íntegros, com raça, fome de títulos e capacidade de superação.
Promova, caro Presidente, as reformulações estruturais, estatutárias e conceituais necessárias para o bom futuro do São Paulo Futebol Clube, independentemente da conquista ou não de uma vaga para a Taça Libertadores de 2016.
Aprendamos, com o resultado amargo imposto pelo adversário, o que este só aprendeu com rebaixamentos.
Recicle. E bote pra ferver!

Um comentário:

Rafael Aleixo disse...

Muito bom, descreveu muito bem a minha visão.