quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O ousado e natural caminho do M1TO


Rogério Ceni se tornou um mito defendendo o gol do São Paulo Futebol Clube por 25 anos, estabelecendo recordes e mais recordes,  muitos dos quais muito provavelmente nunca serão batidos.
Encerrou sua incrível e vitoriosa carreira em 11 de dezembro de 2015, num inesquecível jogo de despedida e, quase um ano após,  está em vias de assumir o Tricolor na função de treinador.
Pela figura de ídolo que é (e sempre será), natural que nós, torcedores, nos questionemos se esse seria ou não o momento adequado. É um ídolo tão querido, mas tão querido, que tendemos a pensar sobre o assunto não tão preocupados, num primeiro momento, com o desempenho que terá a oferecer ao clube, mas sim com a possibilidade de desgaste de sua imagem perante uma torcida que, além de totalmente devotada e leal, talvez também seja uma das mais exigentes e impacientes do país.
Mas a decisão parece estar tomada. E, sinceramente, não há ninguém melhor que o próprio Rogério Ceni para dimensionar o tamanho da responsabilidade e dos desafios que a carreira de treinador lhe irão proporcionar.
Porém, analisando friamente, a escolha pela beira do gramado, para o M1TO, é ousada, mas também é natural.
Em sua longeva carreira aprendeu com gente competentíssima. Teve a honra de ser treinado pelo Mestre Telê, por Muricy Ramalho. Aprendeu com, Cuca, com Autuori.
Inspirou-se com Osório, entre outros. 
Até com quem eventualmente não tenha tido tanta afinidade aprendeu o que fazer e certamente também o que não fazer.
Conviveu com companheiros de time, seleção e alguns adversários de nível técnico extraordinário, capazes de resolver jogos, como ele mesmo tantas vezes o fez.
Mas também conviveu com jogadores sem nível técnico exuberante que se tornaram jogadores incríveis pela dedicação, pelo espírito vencedor. Por não se conformarem com nada menos que a vitória.
Também conviveu com acomodados. Com pernas que surfam a onda das cifras atuais do mundo da bola sem retribuir com desempenho esportivo.
Imaginem o quão rica foi a aprendizagem.
Como dito, para alguém obstinado como Rogério Ceni, a ousadia de encarar o desafio de ser treinador e sujeitar-se às críticas que certamente virão, é natural.
Natural como foi para muitos outros ex-jogadores de percepção aguçada que, craques ou não, se tornaram grandes treinadores e dominam o cenário atualmente no mundo todo.
Certamente Rogério Ceni já tem uma concepção tática em mente, o que não significa que não terá que mudá-la ao longo da carreira de técnico.
Evidentemente seu desempenho também será influenciado pela qualidade do trabalho da diretorias de futebol que vier a se relacionar. Tem estofo suficiente para delas exigir muito mais do que o que lhe foi oferecido no final de sua carreira. Certamente o fará.
Como qualquer outro, acertará e errará.
Será criticado, será aplaudido.
Mas sempre contará com o respeito dos verdadeiros são paulinos.
O nível de excelência que sempre buscou e atingiu como atleta exige de nós torcedores, no mínimo, um enorme voto de confiança.
O meu ele já tem. Não tenho dúvidas que também contará com o de vocês.
Boa sorte, M1TO.

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