domingo, 12 de novembro de 2017

Manifesto dos 45 pontos (Por um SPFC melhor)

Ufa! Faltando apenas quatro rodadas para o fim do Brasileirão, enfim o Tricolor atingiu 45 pontos. O risco de rebaixamento praticamente foi aniquilado e, por incrível que pareça, agora podemos falar nas chances de classificação para a Copa Sulamericana e, com muito otimismo e sorte, quem sabe até para Libertadores.

É importante continuar apoiando o time e torcendo muito pela classificação para o torneio que está no d.n.a. da torcida Tricolor, mas, superado o risco do inédito rebaixamento do gigante SPFC, mais uma vez é hora de cobrar veementemente quem dirige o clube e permitiu que o grande risco de rebaixamento tenha existido em proporções nunca vistas, atormentando tanto a torcida Tricolor.

Como por aqui o apoio ao SPFC sempre coexistiu com a cobrança, este manifesto é na verdade uma compilação que propõe a reflexão sobre aspectos da atual gestão que não podem ser ignorados pelos torcedores, pelo Conselho Deliberativo e pelo Conselho de Administração.

Há duas grandes questões a serem debatidas: 

1) Porquê o SPFC foi exposto ao risco de rebaixamento no Brasileirão, rebaixamento que se ocorresse mancharia sua história de forma indelével? 

2) Porquê nas quatro competições disputadas em 2017 o clube apenas coadjuvou e não disputou títulos?

Ambas perguntas têm respostas que estão entrelaçadas e passam por dois aspectos fundamentais: falta de timing na tomada de decisões por parte de quem o preside atualmente de forma remunerada (Sr. Leco) e de quem dirige o futebol (Sr. Pinotti), além do descumprimento da previsão estatutária de profissionalização.

Talvez seja o caso de iniciar pelo último tópico:

Não se ignora a extrema complexidade e desafio que seja decidir os rumos de uma instituição gigantesca como o São Paulo Futebol Clube. Por isso mesmo exige-se, de quem o faça, competências e qualificações que devem ser superiores às ordinárias.

Mas, infelizmente, não foi o que se viu no ano de 2017.

Mesmo após a aprovação da criação do Conselho de Administração, voltado à descentralização de poder, houve majoritária ocupação através de afinidades políticas, o que, aliás, também vem ocorrendo em relação à algumas diretorias executivas, nas quais ignora-se solenemente a exigência de notória experiência no mercado para ocupação de importantes cargos.

Dessas discrepâncias decorreu um Conselho Administrativo que nesse primeiro ano muito mais avalizou do que aconselhou, ensejando, portanto, a manutenção da centralização do poder nas figuras do Presidente e do Diretor de Futebol.

Tais figuras tomaram os rumos que quiseram, rumos estes que evidenciaram a falta de timing de ambos e que expôs o SPFC a riscos desnecessários, varrendo quaisquer chances de disputar títulos, tornando o clube mero coadjuvante no ano de 2017.

Alguém mais passional, diante do momento específico vivido hoje, diria: mas como a administração por ser tão criticada se hoje contamos com Hernanes, Petros, Jucilei, Marcos Guilherme, Arboleda etc e com eles temos até chances de classificação para a Libertadores de 2018?

Evidentemente tais jogadores foram acertos, mas é preciso lembrar o contexto em que foram contratados.

A mesma direção que acertou ao contrata-los, o fez na bacia das almas, após uma sucessão de más decisões e, ainda, o fez com o campeonato brasileiro pegando fogo, obrigando as peças que chegaram, aliás, praticamente no mesmo momento que um novo treinador, a fazerem pré-temporada durante a temporada e encaixarem a tempo de tirar o time da extrema situação de risco que os dirigentes o colocaram.

Mas não é possível ignorar que esse encaixe poderia não ter ocorrido a tempo, o que não seria uma surpresa pela dureza do campeonato, pela pressão e pelo momento vividos.

Também é importante ter em conta que embora os jogadores que chegaram e assumiram a titularidade sejam do nível que o SPFC efetivamente merece, o mesmo não se pode dizer dos outros fraquíssimos jogadores que chegaram apenas para compor o elenco. Jogadores reservas que, em sua maioria, não têm nível técnico que justificasse suas vindas em detrimento do aproveitamento de jovens formados na base.

Rogério Ceni, que fez a pré-temporada com o clube e já enfrentava suas próprias dificuldades como alguém que iniciava uma nova profissão, sequer chegou a ter a disposição os atletas titulares que hoje fazem a diferença.

Foi vítima de uma política de vendas nunca vista antes, que minou seu dia a dia de trabalho. Treinava com o jogador na sexta e já não contava mais com o atleta no sábado. E assim acontecia na semana seguinte. E na outra. E na outra.

A perda técnica e motivacional do time era notória. Os pontos perdidos em decorrência disso, evidentes.

Situação de extrema fragilidade e risco viveu o clube, situação essa imputável unicamente à direção, que agiu como banco de investimentos, sob o pretexto de resolver num passe de mágica uma dificuldade financeira que é fruto de anos e anos de más gestões nas quais, aliás, Leco sempre esteve por perto.

Oras, se a ideia era vender quase todo o elenco, pára com a receita obtida equacionar as dívidas e investir em novos e melhores jogadores, o momento exato seria o início do ano, para que o então treinador participasse da reformulação do elenco e tivesse tempo para trabalhar, o que possibiliria ao clube disputar a Copa do Brasil e o Brasileirão com chances de disputar os títulos.

E aí chegamos a mais essa questão relacionada à falta de timing: porquê, então, o momento escolhido pela gestão para tantas vendas não foi o início do ano?

Porque havia uma eleição marcada para Abril.

Tivesse Leco adotado a política de vendas desenfreadas no início do ano, jamais teria sido eleito, ainda que prometesse reforçar o time na janela internacional de meio de ano.

Daí a conclusão que aquele volume absurdo de vendas, seja de quem realmente poderia ser negociado, seja de jóias que teriam valor bem maior com a conquista de títulos, ou foi algo planejado para ocorrer logo após a eleição, mas omitido na campanha, ou foi falta de planejamento e impulsividade sem precendentes!

Ou seja, em razão de pretensões e estratégias políticas o SPFC foi exposto ao maior risco de sua história, o que é inadmissível!

Mas a torcida, percebendo a magnitude do risco, se uniu, ou melhor, se AGIGANTOU e guiou ternamente o aguerrido time pelos caminhos que conduziram o clube à permanência na Série A.

Como o futebol é cheio de nuances, se tivermos a sorte de conseguir a classificação para a Libertadores de 2018, muitos dirão que a estratégia (inadmissível, repita-se!) da direção de correr os riscos foi correta.

Respeitosamente, não há como concordar.

Não se coloca deliberadamente o quê se ama em situação de perigo.

Colocados os pingos nos is, continuaremos apoiando o Tricolor da forma que podemos, nos estádios sempre que possível e, fora dele, através da aquisição de produtos oficiais e também como mais um dos milhares de sócios torcedores do São Paulo Futebol Clube, bem como respeitosamente apontando o que nos parecer equivocado, sem melindre de elogiar quando for merecido.

Fica a torcida pelo melhor fim de ano possível, que seria com a classificação do time para a Libertadores, o que contribuiria para um 2018 muito melhor.

E também por uma administração mais capacitada e descentralizada, que externamente imponha respeito e internamente promova paz, união e extirpe a letargia institucional que faz tão mal ao clube, para que enfim seja devolvido ao SPFC o protagonismo que lhe é inerente.

Saudações Tricolores.

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